| Poetas do povo do Piauí: imaginário e indústria cultural |
O importante é compreender que o folheto floresceu no Piauí, quando poderia ter o álibi da falta de um editor que centralizasse o processo, sedimentasse um acervo e diversificasse a linha de montagem, com a inclusão de almanaques, orações, novenas e canções em folhas avulsas.
A força do cordel prevaleceu e pode-se pensar, como hipótese, no embrião de uma produção independente, marcada por iniciativas pessoais que dessem conta do desejo de interferir na realidade. Fabular, fazer com que a voz fosse registrada em letra e mais que isso, impulsionasse uma indústria cultural de cunho popular. A meio caminho entre a florescente Guajarina e os estabelecimentos de Pernambuco e da Paraíba (o Ceará só entra para valer nessa história em 9949), o Piauí resistiu com a soma de iniciativas individuais, o que de um lado dificultou a permanência de uma coleção ou de um conjunto de folhetos e por outro deu vez e voz a um maior número de intérpretes e porta-vozes dos anseios populares.
Autor: Gilmar de Carvalho
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