| Odeio muito tudo isso |
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R$ 30,00
Ráu é um adolescente sensível - leitor de Zola, Kafka, Camus, Fante e Salinger -, que sente um enorme desconforto com a mediocridade de seu ambiente escolar e começa a perceber que o “mundo adulto” pode ser um inferno. Solitário e reflexivo, ele sofre com a separação dos pais, com as esquisitices da irmã caçula, com a incompreensão dos amigos e as frustrações amorosas. A realidade se torna um pesadelo e a descoberta de uma possível vocação literária seria a única saída diante de tantas incertezas.
A literatura o instiga a buscar experiências radicais, cruzando a fronteira sempre movediça entre o bem e o mal, a lucidez e o delírio, o prazer e a dor, a esperança e o medo. De repente, Ráu deixa para trás sua vida aparentemente tranquila e confortável num condomínio de classe média em Pelotas e se embrenha no caminho sombrio das drogas, da marginalidade e da prostituição. Sua existência é tomada por um torvelinho de episódios e sensações desencontradas que aos poucos vão compondo um labirinto assustador. Mistura de rito de passagem urbano com romance de formação pós-moderno, esta narrativa vertiginosa do escritor e jornalista gaúcho Luiz Carlos Freitas - em primeira pessoa - coloca o leitor no cerne do pensamento de Ráu e o transforma em cúmplice de suas angústias e descobertas extraordinárias. Aprender com o outro, e com suas divergências abissais, pode representar uma aposta de alto risco. Assim como o amor, no extremo, camufla pulsões violentas e nos leva a oposições intransponíveis. Esse aprendizado doloroso parece ecoar as misérias de um mundo desencantado, feito de aparências fugidias e povoado de homens ocos. A autenticidade que Ráu busca desesperadamente, como típico anti-herói do romance moderno, o joga contra si mesmo, num movimento estranhamente realista e absurdo de duras contradições. Não pode haver um final feliz, ou apaziguador, para esse garoto talentoso que decidiu encontrar uma verdade mais profunda ao seu redor, para além do teatro social. Luiz Carlos Freitas não é condescendente com seu personagem nem com o leitor, como exige a boa literatura. |